quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Ainda fregueses

Não. Essa esculhambação que o Mano Menezes convocou e colocou em campo não é uma seleção brasileira. Eu queria ter dito isso já depois do jogo contra a Argentina, no qual o ataque brasileiro não conseguiu fazer nem um golzinho contra a defesa dos hermanos (e essa sim, era mais esculhambação ainda), mas soaria como irritação pelo resultado. Acho que agora eu posso dizer.

Se continuar assim, Mano Menezes não chega a 2014. São cinco jogos e duas derrotas - as duas contra times minimamente sérios (Argentina e França).

E continuamos fregueses dos Bleus. São seis jogos consecutivos sem vitória e três eliminações em Copas do Mundo nos últimos 25 anos. Ronaldo em seus melhores momentos não venceu a França (e nos piores também não), Ronaldinho idem, e pior de tudo, Zidane já passou e continuamos fregueses.

Anti-Dunga

Mano cometeu o erro grosseiro de querer chegar à seleção sendo o anti-Dunga. Seu antecessor foi execrado pela imprensa (e pela CBF, apesar de ter tido todo o apoio dela) por causa de picuinhas durante a Copa, e também por não ter convocado para o mundial os queridinhos do momento (Neymar e Ganso).

E como se quisesse dizer a todos que Dunga estava errado, Mano jogou com os laterais Daniel Alves (reserva na Copa) e André Santos (titular em 2009, ausente em 2010), mudou a zaga e do meio pra frente manteve apenas Robinho e Ramires. E o site oficial do treinador ainda tem a cara de pau de falar em "renovação gradativa".

Poucos jogadores já consagrados são mesclados a uma parcela expressiva de jogadores sem maior destaque em clubes grandes ou então jogadores que atuam em ligas poderosas como Ucrânia, Portugal e Turquia. Quem atua em ligas fortes, como a Alemã, está em clubes da história e da tradição do Hoffenheim... em outras palavras, quase todos os que estão na seleção têm algo a provar. Ainda não chegaram ao ponto de mostrar que são absolutos.

Imprensa elogiosa

A imprensa também tem sua parcela de culpa. Desejosa de enterrar a era Dunga, de demolir seu "inimigo" e mostrar que o novo trabalho seria melhor, elogiou desmedidamente o primeiro amistoso de Mano Menezes, no qual goleamos com brilho um mistão dos Estados Unidos por... 2 a 0. Só se falava em massacre, jogo vistoso e outros elogios. Depois batemos o poderoso irã por 3 a 0 e a magnífica Ucrânia, do craque... quem mesmo? Nada de Schevchenko, Rebrov ou Voronin. Bom, ganhamos desse time aí por 2 a 0.

Até que chegou o primeiro jogo sério, e Mano perdeu. É curioso: ele tem falado em renovação (e eu pensando naquela enrolação de ciclo olímpico), mas os hermanos jogaram naquele dia com um craque veterano, que dificilmente chegará à próxima Copa do Mundo, mas que hoje é o que eles têm de melhor na posição: me refiro a Zanetti. Enquanto isso, Dunga inventa Hulk. Ok, ele é goleador em Portugal. Mas se fosse por isso, o Jardel teria que ter sido convocado muito mais vezes, tendo inclusive sua camisa aposentada.

O leitor pode argumentar, dizendo que Dunga perdeu contra Venezuela (amistoso) e Paraguai (doloroso) em sequência, e foi mantido (com a torcida gritando "adeus Dunga"). Mas ele tinha crédito porque vencia as difíceis, contra rivais como Argentina e Itália.

França 1 - Brasil 0

No jogo de hoje, uma coisa me chamou a atenção. Assisti após a partida os melhores momentos selecionados pelo pessoal do SporTv. Foram cinco chegadas brasileiras, sendo dois chutes para fora, duas jogadas em que o atacante não chegou na bola e apenas um único chute no rumo do gol. É muita miséria para a camisa pentacampeã do mundo. A defesa levou um gol de cruzamento por baixo. Menez fez fila e Benzema entrou desmarcado na pequena área para estufar a rede.

A França não foi grande coisa. Benzema, Menez e Gorcuff tiveram uma exibição aceitável, mas não brilhante. Foram os que se destacaram. Jogadores do nível de Abidal simplesmente não foram exigidos. Sagna lutou. Lloris só teve que fazer uma defesa. O resto, com o perdão do trocadilho infame, eram uns diabys.

Ainda assim perdemos. Continuamos fregueses da França. Do jeito que as coisas estão hoje, não vejo futuro para 2014. Mas pelo menos o treinador pode ser outro.

1 comentário(s):

  1. Ele era a terceira opção para técnico do Brasil
    Depois de Muricy e Felipão, a CBF decidiu
    Mano Menezes, com boa campanha no timão
    Foi o técnico indicado para a nossa seleção

    Seleção que, vale lembrar, não terá Eliminatórias
    Já que o país sediará a segunda copa de sua história
    E sendo assim, os amistosos ganham outra conotação
    Será o treinamento disponível para ser campeão

    Contra a França foi o quinto jogo que comandou
    Em partidas importantes, nenhuma ele ganhou
    Messi e outros 10 lhe deram a primeira derrota
    E novamente, franceses, nos levaram a bancarrota

    Tudo bem, a expulsão de Hernanes contribuiu
    Mas não explica a pouca criatividade que se viu
    No futebol brasileiro, opção é impossível faltar
    Mesmo com ausência de Kaká, Ganso e Neymar

    E agora Mano, a pressão, você sabe, vai aumentar
    Porque aqui a paciência é curta, se você observar
    Mesmo no início, resultado já tem que apresentar
    Pois na Copa não terá amistoso, ninguém vai facilitar

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    twitter: @noticiaemverso

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