Saúdo com alegria a escolha de Lionel Messi para o prêmio de melhor jogador do mundo. Reinou o bom senso e o argentio superou seus colegas de time Xavi e Iniesta.
Os espanhóis foram campeões do mundo na África do Sul com um time sem graça. Campeões merecidos, diga-se bem, porque bateram o time cujo futebol agradou mais (Alemanha). Não me venham com esse papo furado de o futebol da seleção espanhola era um futebol arte. Toque de bola não significa futebol arte, especialmente quando um time marca miseráveis oito gols em sete jogos. Mas faltou um Messi.
Xavi e Iniesta são os pulmões do time que hoje joga o melhor futebol do mundo (o Barcelona). Mas Messi continua sendo o número 1. Ele é o coração. Habilidade para correr com a bola sempre grudada a seus pés. Potência para chutar forte de qualquer lugar do campo. Inteligência para encontrar espaços, posicionar-se bem e fazer jogadas geniais correndo em diagonal da direita para o centro.
O prêmio, como o próprio nome diz, é o de melhor jogador do mundo. Prêmio que tem sido, nos últimos anos, condicionado às atuações coletivas. Basta ver os últimos ganhadores: o próprio Messi em 2009 (campeão da Champions League), Cristiano Ronaldo em 2008 (idem), Kaká em 2007 (idem), Fabio Cannavaro em 2006 (campeão do mundo com a Itália).
Em ano de Copa, então, era uma regra não escrita: o ganhador do prêmio teria que ser um jogador campeão do mundo. Romário foi em 1994; Zidane foi em 1998, mesmo perdendo dois jogos por suspensão após o cartão vermelho recebido após cometer uma agressão covarde; Ronaldo em 2002; Cannavaro em 2006. O último "melhor jogador do mundo" a não ser campeão mundial foi o soviético Belanov, em 1986 - mas, naquele momento, o prêmio não era dado pela FIFA.
Xavi e Iniesta
Xavi está provavelmente no melhor momento de sua carreira - é como o vinho, melhora com o passar dos anos. É o cérebro, o jogador capaz de dar passes que abrem defesas e colocam seus companheiros na cara do gol.
Iniesta em 2003 foi um "herói sem coroa", como manchetou o Marca. Foi vice-campeão mundial sub20, perdendo a final para o Brasil por 1 a 0 depois de jogar com um a menos desde os 3 minutos do primeiro tempo (isso mesmo: falta de último homem, o juiz não tremeu e expulsou o espanhol Melli). Naquela ocasião, escrevi para meus amigos espanhóis que esta derrota poderia gerar vitórias depois (tal como a seleção de prata do Brasil em 1988 que foi a base do time campeão mundial de 1994). Iniesta teve sua revanche marcando o gol do título mundial em 2010. Um fenômeno!
Marta, quinta bola de ouro
Em qualquer esporte e em qualquer país, ter o melhor jogador do mundo certamente representa um impulso para a atividade. Pela quinta vez consecutiva, Marta foi eleita a melhor jogadora de futebol do mundo. Pergunto: quantas partidas da Marta você viu no último ano? Eu nenhuma. O futebol feminino no Brasil é praticamente inexistente, é feito por valores individuais porque o contexto não presta. O prêmio de Marta representa o heroísmo individual. Mas nem mesmo isso é capaz de impulsionar a valorização do futebol feminino no país. É clichê criticar a CBF, mas nada mudou desde os protestos de René Simões após a medalha de prata olímpica de 2004. Ali o assunto é outro. Futebol fica em último plano, é só o pretexto para tudo o que ocorre de mais sujo por lá.
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