Clássicos são partidas especiais. Têm uma importância simbólica, por significarem uma rivalidade que, não raro, chega a ser inimizade. Às vezes são um campeonato à parte - quando os dois rivais têm méritos para tal, é claro. É o jogo que todos querem ganhar e que muitas vezes é jogado apenas para não perder (por sorte o futebol brasileiro está acima desta mediocridade).
Barcelona e Real Madrid talvez seja o clássico mais importante do mundo no que se refere a clubes. Grandes estrelas do futebol mundial jogam nos dois times. O prêmio de melhor do mundo concedido pela FIFA várias vezes foi entregue a um jogador de um dos dois times.
Grandes diferenças
Neste caso específico, não se trata apenas de futebol: há uma inimizade histórica, os catalães se sentem dominados pelos espanhóis (Castela, ou Madrid) e têm no Barça uma forma de expressar seu nacionalismo.
Como se fosse pouco, os dois times têm duas grandes diferenças em termos de projeto. A primeira delas é que o Barcelona é um time feito em casa. Muitos titulares são jogadores formados nas próprias divisões de base do clube catalão (incluindo o treinador, se é que podemos falar em "divisões de base" de treinadores). O Real Madrid, ao contrário, é um time comprado, formado pelo presidente Florentino Pérez - que entre 2001 e 2006 montou seu projeto galáctico. Além disso, no último período de passes mandou embora duas de suas figuras históricas: Raúl e Guti.
Até mesmo por esta característica, a outra é que o Real Madrid é um time feito de individualidades. Se dissermos que é Cristiano Ronaldo e mais dez, não se trata de exagero: ele joga para si, não para o time. Ele é o dono da bola. Chuta todas as faltas (e só falta querer chutar os tiros de meta). O Barcelona, ao contrário, tem seu destaque individual, Messi, mas que se encaixa perfeitamente no coletivo. Coletivo formado por craques como Xavi, Iniesta, Villa, Pedro ou Daniel Alves. E também por alguns jogadores menos importantes, mas igualmente relevantes (Abidal, por exemplo). E oito jogadores deste coletivo acabaram de ser campeões do mundo (sem muito brilho, mas são os legítimos campeões).
Faça-se a guerra
José Mourinho sabe das coisas. Não é pra qualquer um ganhar a Champions globalizada (ou seja, propriedade quase exclusiva do futebol espanhol, inglês, italiano e do Bayern) com o Porto e tirar a Internazionale de uma longa fila. E na sua primeira tentativa de obter uma vitória psicológica, começou a esquentar o ambiente prévio dizendo que o Barcelona sempre ia bem com o árbitro Iturralde González.
O coletivo do Barcelona começou a levar vantagem numa genialidade de Messi, aos 5 minutos, acertando a trave de Casillas. E abriu o placar num passe em profundidade de Iniesta que, desviado pela defesa, encontrou Xavi na cara do gol para deixar sem assunto o goleiro Casillas. Poucos minutos depois, foi Xavi quem fez jogada pela esquerda para encontrar Pedro na pequena área: 2 a 0. (Nota: se o Real tem dinheiro para montar um plantel galáctico, por que ainda não arrumaram ninguém decente para o lugar do Marcelo? Isso é sacanagem com quem se acostumou a ter o Roberto Carlos)
A partir daí o Barcelona começou a errar e o Real Madrid, talvez inconformado com estar perdendo tão cedo, começou a repartir patadas. Não demorou a aparecerem as confusões, quando Cristiano Ronaldo deu um empurrão no técnico Guardiola. O craque impotente perdia a cabeça.
Futebol outra vez
Segundo tempo, o Barça entrou no jogo de novo. Messi deu três passes geniais em profundidade. No primeiro, Xavi foi travado e depois chutou para fora; no segundo, Villa entrou pela direita e fez o gol; no terceiro, Villa entrou pela esquerda e mandou no meio das pernas de Casillas. E eram apenas 12 minutos.
Em alguns momentos o Barça se divertiu como se estivesse jogando bobinho com o Real Madrid: trocavam passes como bem entendiam: de frente, de lado, de calcanhar, de letra, de cabeça, de todas as formas. Não era simplesmente aquele futebol bitolado e desinteligente de livrar-se da bola passando de primeira. Era diversão. E como é mais bonito o futebol quando há diversão em quem joga!
A guerra esquenta
O Real Madrid era humilhado e pouco a pouco perdia a linha frente à arte do futebol - e também da guerra. O juiz foi firme e se impôs. Mas, se fosse árbitro sul-americano em vez de europeu, talvez tivesse soltado um cartão vermelho quando as patadas se tornavam mais fortes e mais frequentes. Messi também fez guerra usando a manha argentina: fingiu ter levado uma cotovelada.
No final, Guardiola colocou dois garotos em campo: Bojan e Jeffren. Bojan teve tempo de perder dois gols cantados, mas deu o passe para Jeffren anotar o quinto gol blaugrana. Uma vitória por 5 a 0, tal como em 1934/35, 1943/44 e 1993/94.
Ainda deu tempo de sair cartão vermelho quando Sergio Ramos bateu primeiro em Messi e depois em Puyol. A confusão foi tão grande que saiu cartão amarelo até para Xavi, que já havia sido substituído.
Humilhação sem atenuantes para o Real Madrid, vitória memorável para o Barcelona, melhor na arte do futebol. E também na da guerra.
Barcelona e Real Madrid talvez seja o clássico mais importante do mundo no que se refere a clubes. Grandes estrelas do futebol mundial jogam nos dois times. O prêmio de melhor do mundo concedido pela FIFA várias vezes foi entregue a um jogador de um dos dois times.
Grandes diferenças
Neste caso específico, não se trata apenas de futebol: há uma inimizade histórica, os catalães se sentem dominados pelos espanhóis (Castela, ou Madrid) e têm no Barça uma forma de expressar seu nacionalismo.
Como se fosse pouco, os dois times têm duas grandes diferenças em termos de projeto. A primeira delas é que o Barcelona é um time feito em casa. Muitos titulares são jogadores formados nas próprias divisões de base do clube catalão (incluindo o treinador, se é que podemos falar em "divisões de base" de treinadores). O Real Madrid, ao contrário, é um time comprado, formado pelo presidente Florentino Pérez - que entre 2001 e 2006 montou seu projeto galáctico. Além disso, no último período de passes mandou embora duas de suas figuras históricas: Raúl e Guti.
Até mesmo por esta característica, a outra é que o Real Madrid é um time feito de individualidades. Se dissermos que é Cristiano Ronaldo e mais dez, não se trata de exagero: ele joga para si, não para o time. Ele é o dono da bola. Chuta todas as faltas (e só falta querer chutar os tiros de meta). O Barcelona, ao contrário, tem seu destaque individual, Messi, mas que se encaixa perfeitamente no coletivo. Coletivo formado por craques como Xavi, Iniesta, Villa, Pedro ou Daniel Alves. E também por alguns jogadores menos importantes, mas igualmente relevantes (Abidal, por exemplo). E oito jogadores deste coletivo acabaram de ser campeões do mundo (sem muito brilho, mas são os legítimos campeões).
Faça-se a guerra
José Mourinho sabe das coisas. Não é pra qualquer um ganhar a Champions globalizada (ou seja, propriedade quase exclusiva do futebol espanhol, inglês, italiano e do Bayern) com o Porto e tirar a Internazionale de uma longa fila. E na sua primeira tentativa de obter uma vitória psicológica, começou a esquentar o ambiente prévio dizendo que o Barcelona sempre ia bem com o árbitro Iturralde González.
O coletivo do Barcelona começou a levar vantagem numa genialidade de Messi, aos 5 minutos, acertando a trave de Casillas. E abriu o placar num passe em profundidade de Iniesta que, desviado pela defesa, encontrou Xavi na cara do gol para deixar sem assunto o goleiro Casillas. Poucos minutos depois, foi Xavi quem fez jogada pela esquerda para encontrar Pedro na pequena área: 2 a 0. (Nota: se o Real tem dinheiro para montar um plantel galáctico, por que ainda não arrumaram ninguém decente para o lugar do Marcelo? Isso é sacanagem com quem se acostumou a ter o Roberto Carlos)
A partir daí o Barcelona começou a errar e o Real Madrid, talvez inconformado com estar perdendo tão cedo, começou a repartir patadas. Não demorou a aparecerem as confusões, quando Cristiano Ronaldo deu um empurrão no técnico Guardiola. O craque impotente perdia a cabeça.
Futebol outra vez
Segundo tempo, o Barça entrou no jogo de novo. Messi deu três passes geniais em profundidade. No primeiro, Xavi foi travado e depois chutou para fora; no segundo, Villa entrou pela direita e fez o gol; no terceiro, Villa entrou pela esquerda e mandou no meio das pernas de Casillas. E eram apenas 12 minutos.
Em alguns momentos o Barça se divertiu como se estivesse jogando bobinho com o Real Madrid: trocavam passes como bem entendiam: de frente, de lado, de calcanhar, de letra, de cabeça, de todas as formas. Não era simplesmente aquele futebol bitolado e desinteligente de livrar-se da bola passando de primeira. Era diversão. E como é mais bonito o futebol quando há diversão em quem joga!
A guerra esquenta
O Real Madrid era humilhado e pouco a pouco perdia a linha frente à arte do futebol - e também da guerra. O juiz foi firme e se impôs. Mas, se fosse árbitro sul-americano em vez de europeu, talvez tivesse soltado um cartão vermelho quando as patadas se tornavam mais fortes e mais frequentes. Messi também fez guerra usando a manha argentina: fingiu ter levado uma cotovelada.
No final, Guardiola colocou dois garotos em campo: Bojan e Jeffren. Bojan teve tempo de perder dois gols cantados, mas deu o passe para Jeffren anotar o quinto gol blaugrana. Uma vitória por 5 a 0, tal como em 1934/35, 1943/44 e 1993/94.
Ainda deu tempo de sair cartão vermelho quando Sergio Ramos bateu primeiro em Messi e depois em Puyol. A confusão foi tão grande que saiu cartão amarelo até para Xavi, que já havia sido substituído.
Humilhação sem atenuantes para o Real Madrid, vitória memorável para o Barcelona, melhor na arte do futebol. E também na da guerra.
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