Faz tempo que estou devendo ao meu amigo Menezes, grandíssimo colorado, um comentário a respeito do segundo título do Internacional na Libertadores. Devido a uma série de compromissos (principalmente de trabalho) acabei não dando a devida atenção ao blog, mas nada como um feriado para colocarmos as coisas em dia.
A América é vermelha. Nem mesmo Hugo Chávez, com o seu bolivarianismo, conseguiria. Na verdade, o Bolívar que levantou a taça foi outro: o libertador do Inter, presente nas duas campanhas e autor de um gol na primeira final. Aliás, um Bolívar que não se chama Bolívar: seu nome de batismo é Fabian Guedes. Ele usa o nome do pai (que também foi jogador) como forma de homenagem.
Tal como aconteceu em Guadalajara, o Inter dominou as ações no primeiro tempo, mas sofreu um gol em cima da hora e foi para o intervalo perdendo por 1 a 0 - o que igualava o confronto, já que o colorado havia vencido por 2 a 1 no México (e nas finais não vale o critério de gols fora de casa).
Mas no segundo tempo, Rafael Sobis empatou aos 16 minutos - na prática, foi o gol que deu tudo o que o Inter precisava para ser campeão. Porque a partir daí os mexicanos teriam que remar de novo para buscar um novo gol, e eles já não tinham pernas nem futebol para isso.
Os dois gols colorados que se seguiram foram uma prova disso. Leandro Damião, saído do banco, arrancou pela direita aos 33 minutos, chutou na saída do goleiro e fez o Beira-Rio explodir de alegria. E Giuliano, também vindo do banco, anotou aos 44 o terceiro gol colorado, driblando dois zagueiros - é bem verdade que a defesa já estava entregue, mas isso em nada diminui o brilho da jogada.
Giuliano é um capítulo à parte nesta conquista. Um meia no banco de reservas anotou seis gols, e foram gols importantes. Isso diz tudo. Leandro Damião era a própria imagem da alegria: ele disse ao repórter da Globo que não sabia nem se seria relacionado para o jogo. Entrou e deixou o dele numa final de Libertadores.
Outros ídolos são marcantes nesta conquista, como Guiñazu (no Inter desde 2007 e alvo de rumores de uma possível transferência para o São Paulo), Sobis (marcou nas finais de 2006 e 2010), Bolivar, d'Alessandro, Alecsandro e Renan. Mas não poderíamos deixar de destacar o Tinga. Marcou o gol do título em 2006, foi personagem importante na campanha de 2010 e na final deu o sangue (literalmente, e foi muito sangue) pelo time. Não sou colorado nem tenho direito a propor nada, mas tomo a ousadia de sugerir que daqui pra frente o mascote do Inter (saci) tenha a cara do Tinga (ganha em garra e história o que perde em estética).
Ah, antes que eu me esqueça: na história vai constar também o segundo gol do Chivas já nos acréscimos. Mas isso não muda nada. O Inter venceu de virada, tal como havia feito no México, e é o justo campeão da Libertadores 2010.
Gols fora de casa
Na campanha do Inter, merece um destaque especial o fato de ter anotado gols fora de casa nas fases eliminatórias. Primeiro foi contra o Banfield, nas oitavas. O Inter perdeu por 3 a 1 na Argentina e classificou-se com a vitória por 2 a 0 em Porto Alegre.
O adversário seguinte também era argentino e a classificação foi dramática. O Estudiantes foi batido no Beira-Rio por 1 a 0 e, no jogo de volta, venceu por 2 a 1. O gol de honra e da passagem colorada para as semi-finais foi anotado por Giuliano aos 43 minutos do segundo tempo.
Nas semi-finais, novamente o Inter venceu por 1 a 0 em seus domínios; no Morumbi o São Paulo chegou ao gol no primeiro tempo e o Inter empatou numa falta desviada que traiu o camisa 01. Os tricolores anotaram o segundo logo em seguida, mas o estrago já estava feito: novamente o colorado avançava pelo critério de gols fora de casa.
Crescimento institucional
O Inter é um clube modelo no que se refere ao crescimento institucional. Em 1999 estava endividado, não tinha qualquer importância internacional e quase foi para a segunda divisão do campeonato brasileiro (escapou graças a um gol salvador de Dunga contra o Palmeiras na última rodada). O Banrisul era um dos maiores credores do Inter e um contrato de patrocínio foi a forma encontrada para aliviar esta situação.
Foi só o início das mudanças. O Inter fez uma grande campanha de sócios - o que representa um aporte nada desprezível de recursos - e hoje conta com mais de 100 mil.
As divisões de base também deram frutos: Daniel Carvalho, Nilmar, Fabio Rochemback, Rafael Sobis e Alexandre Pato são apenas alguns dos jogadores que se destacaram com a camisa colorada e ganharam espaço no exterior.
Após as campanhas e 2004 e 2005 na Copa Sul-Americana, quando caiu diante do Boca Juniors (campeão nas duas edições, em 2005 precisava de três gols nos últimos 30 minutos contra o Inter e conseguiu eliminar os brasileiros), o Inter obteve classificação para a Copa Libertadores (disputada pelos colorados apenas duas vezes - 1989 e 1993 - após o vice-campeonato de 1980).
Para vencê-la, em 2006, foi fundamental a experiência obtida nos fracassos de anos anteriores na Copa Sul-Americana (além da mão do juiz contra o meu Nacional ao anular injustamente dois gols do Vanzini, mas esta é outra história). O título mundial no fim do ano, jogando a final contra o Barcelona (que havia sido maravilhoso antes da Copa do Mundo), fez com que o clube se tornasse mais Internacional do que nunca.
É este caminho que o Inter vem percorrendo na última década e que trouxe mais sucesso do que em todas as nove décadas anteriores de história juntas. Um exemplo dentro do Brasil. E fora também. Orgulho-me de dizer que meu Nacional está começando a percorrer caminho semelhante. Mas é claro que o Inter tem no Rio Grande do Sul muito mais mercado do que o Nacional tem no Uruguai.
Chivas: finalista entrou pela janela
Esse time mexicano - que nem é lá grande coisa - já tinha ido longe demais pra quem entrou na Libertadores pela janela. Só pra lembrar: em 2009, com a epidemia de gripe suína (ninguém sabia ao certo quais eram os riscos), Nacional e São Paulo se negaram a viajar para o México (o São Paulo, inclusive, tinha uma ordem do Ministério da Saúde para não fazê-lo). Diversas soluções foram buscadas - sempre com críticas de algum lado - e no fim das contas a Conmebol ordenou jogar uma partida apenas. Os mexicanos abandonaram o torneio (ninguém os expulsou: eles decidiram abandonar), mas o dinheiro dos patrocinadores mexicanos é importante para a Conmebol (poderoso caballero es Don Dinero, dizem os hispanohablantes) e assim Chivas e San Luis ganharam a vaga direto nas oitavas-de-final neste ano.
Perigo!
Alguma coisa muito ruim está prestes a acontecer com o Inter. Isso porque o presidente Lula ganhou de presente uma camisa comemorativa do bicampeonato da Libertadores. E é fato amplamente conhecido que quem tira fotos, aperta a mão ou dá algum presente ao Lula entra numa maré de azar.
A América é vermelha. Nem mesmo Hugo Chávez, com o seu bolivarianismo, conseguiria. Na verdade, o Bolívar que levantou a taça foi outro: o libertador do Inter, presente nas duas campanhas e autor de um gol na primeira final. Aliás, um Bolívar que não se chama Bolívar: seu nome de batismo é Fabian Guedes. Ele usa o nome do pai (que também foi jogador) como forma de homenagem.
Tal como aconteceu em Guadalajara, o Inter dominou as ações no primeiro tempo, mas sofreu um gol em cima da hora e foi para o intervalo perdendo por 1 a 0 - o que igualava o confronto, já que o colorado havia vencido por 2 a 1 no México (e nas finais não vale o critério de gols fora de casa).
Mas no segundo tempo, Rafael Sobis empatou aos 16 minutos - na prática, foi o gol que deu tudo o que o Inter precisava para ser campeão. Porque a partir daí os mexicanos teriam que remar de novo para buscar um novo gol, e eles já não tinham pernas nem futebol para isso.
Os dois gols colorados que se seguiram foram uma prova disso. Leandro Damião, saído do banco, arrancou pela direita aos 33 minutos, chutou na saída do goleiro e fez o Beira-Rio explodir de alegria. E Giuliano, também vindo do banco, anotou aos 44 o terceiro gol colorado, driblando dois zagueiros - é bem verdade que a defesa já estava entregue, mas isso em nada diminui o brilho da jogada.
Giuliano é um capítulo à parte nesta conquista. Um meia no banco de reservas anotou seis gols, e foram gols importantes. Isso diz tudo. Leandro Damião era a própria imagem da alegria: ele disse ao repórter da Globo que não sabia nem se seria relacionado para o jogo. Entrou e deixou o dele numa final de Libertadores.
Outros ídolos são marcantes nesta conquista, como Guiñazu (no Inter desde 2007 e alvo de rumores de uma possível transferência para o São Paulo), Sobis (marcou nas finais de 2006 e 2010), Bolivar, d'Alessandro, Alecsandro e Renan. Mas não poderíamos deixar de destacar o Tinga. Marcou o gol do título em 2006, foi personagem importante na campanha de 2010 e na final deu o sangue (literalmente, e foi muito sangue) pelo time. Não sou colorado nem tenho direito a propor nada, mas tomo a ousadia de sugerir que daqui pra frente o mascote do Inter (saci) tenha a cara do Tinga (ganha em garra e história o que perde em estética).
Ah, antes que eu me esqueça: na história vai constar também o segundo gol do Chivas já nos acréscimos. Mas isso não muda nada. O Inter venceu de virada, tal como havia feito no México, e é o justo campeão da Libertadores 2010.
Gols fora de casa
Na campanha do Inter, merece um destaque especial o fato de ter anotado gols fora de casa nas fases eliminatórias. Primeiro foi contra o Banfield, nas oitavas. O Inter perdeu por 3 a 1 na Argentina e classificou-se com a vitória por 2 a 0 em Porto Alegre.
O adversário seguinte também era argentino e a classificação foi dramática. O Estudiantes foi batido no Beira-Rio por 1 a 0 e, no jogo de volta, venceu por 2 a 1. O gol de honra e da passagem colorada para as semi-finais foi anotado por Giuliano aos 43 minutos do segundo tempo.
Nas semi-finais, novamente o Inter venceu por 1 a 0 em seus domínios; no Morumbi o São Paulo chegou ao gol no primeiro tempo e o Inter empatou numa falta desviada que traiu o camisa 01. Os tricolores anotaram o segundo logo em seguida, mas o estrago já estava feito: novamente o colorado avançava pelo critério de gols fora de casa.
Crescimento institucional
O Inter é um clube modelo no que se refere ao crescimento institucional. Em 1999 estava endividado, não tinha qualquer importância internacional e quase foi para a segunda divisão do campeonato brasileiro (escapou graças a um gol salvador de Dunga contra o Palmeiras na última rodada). O Banrisul era um dos maiores credores do Inter e um contrato de patrocínio foi a forma encontrada para aliviar esta situação.
Foi só o início das mudanças. O Inter fez uma grande campanha de sócios - o que representa um aporte nada desprezível de recursos - e hoje conta com mais de 100 mil.
As divisões de base também deram frutos: Daniel Carvalho, Nilmar, Fabio Rochemback, Rafael Sobis e Alexandre Pato são apenas alguns dos jogadores que se destacaram com a camisa colorada e ganharam espaço no exterior.
Após as campanhas e 2004 e 2005 na Copa Sul-Americana, quando caiu diante do Boca Juniors (campeão nas duas edições, em 2005 precisava de três gols nos últimos 30 minutos contra o Inter e conseguiu eliminar os brasileiros), o Inter obteve classificação para a Copa Libertadores (disputada pelos colorados apenas duas vezes - 1989 e 1993 - após o vice-campeonato de 1980).
Para vencê-la, em 2006, foi fundamental a experiência obtida nos fracassos de anos anteriores na Copa Sul-Americana (além da mão do juiz contra o meu Nacional ao anular injustamente dois gols do Vanzini, mas esta é outra história). O título mundial no fim do ano, jogando a final contra o Barcelona (que havia sido maravilhoso antes da Copa do Mundo), fez com que o clube se tornasse mais Internacional do que nunca.
É este caminho que o Inter vem percorrendo na última década e que trouxe mais sucesso do que em todas as nove décadas anteriores de história juntas. Um exemplo dentro do Brasil. E fora também. Orgulho-me de dizer que meu Nacional está começando a percorrer caminho semelhante. Mas é claro que o Inter tem no Rio Grande do Sul muito mais mercado do que o Nacional tem no Uruguai.
Chivas: finalista entrou pela janela
Esse time mexicano - que nem é lá grande coisa - já tinha ido longe demais pra quem entrou na Libertadores pela janela. Só pra lembrar: em 2009, com a epidemia de gripe suína (ninguém sabia ao certo quais eram os riscos), Nacional e São Paulo se negaram a viajar para o México (o São Paulo, inclusive, tinha uma ordem do Ministério da Saúde para não fazê-lo). Diversas soluções foram buscadas - sempre com críticas de algum lado - e no fim das contas a Conmebol ordenou jogar uma partida apenas. Os mexicanos abandonaram o torneio (ninguém os expulsou: eles decidiram abandonar), mas o dinheiro dos patrocinadores mexicanos é importante para a Conmebol (poderoso caballero es Don Dinero, dizem os hispanohablantes) e assim Chivas e San Luis ganharam a vaga direto nas oitavas-de-final neste ano.
Perigo!
Alguma coisa muito ruim está prestes a acontecer com o Inter. Isso porque o presidente Lula ganhou de presente uma camisa comemorativa do bicampeonato da Libertadores. E é fato amplamente conhecido que quem tira fotos, aperta a mão ou dá algum presente ao Lula entra numa maré de azar.
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